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FORMAS DE FAZER
 

OFICINA DO FELTRO
Produção e comercialização de feltro artesanal

A Oficina do Feltro é uma unidade da plataforma de trabalhos de criação e investigação artística e artesanal denominada Formas de Fazer. Teve como ponto de partida o projecto Dar que Fazer, realizado com jovens mães e apoiado pelo Instituto Português da Juventude, no âmbito do Programa de Ocupação de Tempos livres de longa Duração. O projecto foi desenvolvido em parceria com a artesã Isabel Cartaxo, que trabalha na área da tecelagem. A acção consistiu em disponibilizar um conjunto de técnicas, materiais e suas aplicações, visando a preparação da matéria prima —a cardação da lã— para a produção de feltro.

Com a Oficina do Feltro procuramos recuperar e reinventar formas tradicionais de fazer feltro como uma prática colectiva, aproveitando lã não transformada resultante da tosquia. Essa lã é por nós cardada, feltrada e depois lavada no lavadouro público. O feltro resultante (placas com cerca de 120 cm x 170 cm), com características muito próprias, pode ter várias aplicações. Uma delas é a criação de objectos de autor, concebidos por artistas de várias disciplinas (tapeçaria, artes plásticas, figurinos), promovendo o diálogo de objectos e práticas contemporâneas com os valores e as formas de fazer da tradição. O processo de feltragem tem início no aproveitamento da lã que resulta da tosquia das ovelhas e que, depois de cardada, é colocada em camadas ( no mínimo 3 camadas que se sobrepõe com o correr da lã não coincidente), com o tamanho de 1, 20 m x 1,70 m. De seguida, a lã é assente com água quente e sabão e esfregada até feltrar, ou seja, até as fibras se unirem e criarem coesão, formando a placa têxtil.

Este processo, que basicamente segue as práticas ancestrais de produção de tecido não teado (produzido em tear), distingue-se das formas mais actuais de fazer feltro, sobretudo pela utilização da lã sem a sua prévia transformação, uma vez que esta não é submetida aos processos de lavagem, tingimento e cardação não artesanais.

A partir das peças têxteis produzidas na oficina do feltro, realizou-se uma instalação, no âmbito do Festival Escrita na Paisagem. Aplicadas aos troncos de um sobreiral primeiro, depois de um azinhal, como uma segunda pele, desafiavam quem passasse na estrada que liga Évora a Viana do Alentejo a um olhar mais atento sobre as formas e as cores que pontuavam a paisagem. Associadas à oficina de feltro estão também várias artistas que, a convite do projecto, utilizam este material para a construção de objectos de autor, de acordo com a disciplina artística em que desenvolvem trabalho. São elas Diana Regal, na área dos figurinos, Dina Piçarra, na (re)criação de peças de vestuário e acessórios, Guida Fonseca e Helena Calvet, na tapeçaria, Isabel Cartaxo, na tecelagem, Maria José Brito, na escultura, Regina Guimarães na poesia e nos lavores, Rosa Ramos, nas artes plásticas e cénicas, entre outros artistas.

A produção das placas de feltro está agora a implementar-se no mercado nacional e internacional, através do contacto com vários Centros de Artes, Galerias, artistas e outros organismos capazes de reconhecerem o testemunho cultural e estético que lhes preside, assim como as potencialidades plásticas e estéticas deste tipo de material.

A Oficina do Feltro organiza ainda visitas e workshops de produção de feltro artesanal propondo uma incursão pela cultura popular do Alentejo, através de uma visita em torno do ciclo da lã. Propostas e contactos para o endereço, mail e telefones abaixo identificados.

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